Diário da Peste 17
- Sonia Rodrigues
- 7 de abr. de 2020
- 2 min de leitura
Por quem os sinos dobram?
No Brasil de hoje, penso que os sinos dobram por quem segue os líderes com fé cega. Já segui líderes com fé mais ou menos cega, porque sou muito questionadora. Desde “por que quem tem que ser assim, se meu desejo não tem fim?” até “mas o rei está nu, não está? Devo dizer a meu favor: depois que larguei a igreja/partido em 88 tenho evoluído em assumir essa característica: a de não me render a argumento de autoridade.
Assisti, de 2016 a 2018, muitos amigos seguirem cegamente o Mito Lula. Maus perdedores, meus amigos repetiam o mantra Fora Temer em qualquer conversa. Era inútil pedir que me poupassem já que eu não havia votado no Temer. Ele um alvo único. Junto com seus ministros. “Já caçou seu golpista hoje?” perguntava uma “historiadora” de 22 anos na época da perseguição ministro Calero. “Eu não passo pano para ministro golpista” fazia graça uma roteirista de 30 anos referindo-se ao ministro Sergio Sá Leitão.
Essa ladainha contribuiu para o resultado das eleições de 2018. Uns marcharam com o Mito Lula (47 milhões) e o Mito Mito (57,8 milhões) ganhou.
O que é perder uma eleição? Eu já lutei em várias. Umas a gente perde, outras a gente ganha, faz parte da Democracia.
Com a Peste, as coisas mudaram. Por que os sinos podem não ter dobrado na eleição de 2018, mas agora, meus amigos seguidores cegos de Mitos, os sinos podem vir a dobrar pelos muito próximos. O pastor Landon Spradlin disse que a Peste era histeria da mídia e um mês depois estava morto pelo Covid 19.
Sugiro que aproveitemos esse retiro imposto por uma força que não somos capazes de controlar para considerar mudar de vida. Porque não podemos continuar vendo o Brasil sendo “guiado por um idiota cheio de som e de fúria, sem sentido algum” por maior que seja a simpatia pelo
Escutem Raul Seixas. É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro e convencer as paredes do nosso próprio quarto. Até os sinos começarem a dobrar.
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