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Os mentirosos e os crédulos

  • Foto do escritor: Sonia Rodrigues
    Sonia Rodrigues
  • 6 de jun. de 2022
  • 2 min de leitura

Fui informada por uma profissional da área que narcisista é aquele (a) que mente sem necessidade. Entre outras características claro.

Eu usava a expressão "sem necessidade" apenas voltada para quem é cruel. Cruel é a pessoa que fere as outras sem necessidade, dizia. Mal sabia eu que existem aqueles que ferem por esporte.

Uma vez, dispensei um príncipe, um homem bonito, carinhoso, inteligente, criativo, bom de cama por um sapo. Ele talvez tenha me achado cruel. Mas eu precisava fazer aquilo porque não queria traí-lo, o que era o caminho mais fácil. Fazia um test drive com o sapo, comprovava que era sapo e o príncipe jamais saberia o que eu tinha feito. A minha necessidade de não ser narcisista estava acima da sensatez. Quanta bobagem a gente faz na juventude!

Até esses dias, pensava que os viciados na mentira eram apenas mitômanos. Mas a mentira por vício também é cruel se na outra ponta existir um (a) crédulo (a).

Conheço um homem que disse que tinha se separado da mulher para outro homem com quem ele transava de vez em quando. Inventou de uma forma rebuscada. Mas manteve as fotos dela na estante, a gata dela em casa, o plantão ao lado do telefone no dia em que a esposa - com Covid - ficou de ligar de outro estado. Quando meu amigo, o peguete, me contou essa história, eu também acreditei. "Agora vai", eu pensei. "Agora vocês poderão ir ao cinema, jantar fora com os amigos, com ele fora do armário, já pensou que beleza?". Depois, comecei a desconfiar. Da gata, das fotos que meu amigo viu na estante. Até da Covid, eu desconfiei. Não falei nada, mas, quando, finalmente, o casado e a esposa reassumiram os papeis de casal hetero bem sucedido, me ocorreu que nunca existiu a separação. Talvez ela tenha, apenas, viajado a trabalho, para fazer um curso em BSB.

A sorte foi que meu amigo conheceu um gay lindo, assumido, no lançamento da revista da ABL. Talvez seja coisa de meia dúzia de encontros que não levem a lugar nenhum. Pode ser que ele minta um pouquinho, como dizia o Tim Maia. Dizem que a maioria das pessoas mente um pouquinho. Pelo sim, pelo não, perguntei ao meu amigo se existia alguma foto de mulher na estante ou na mesa de trabalho da nova transa. "Só da mãe dele". Que alívio! Mãe não é rival de homem.

 
 
 

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